Para esconder basta esquecer.
Não é qualquer um que acha algo de valor e o reconhece, ainda mais se
estiver em estado incipiente, “in natura”, onde para se ver a qualidade, o
valor, tem que ser expert, tem que ser especialista, ou do “metier”, usando
uma expressão do meio.
Agora esconder é fácil. Não requer do individuo nenhuma arte, nenhum conhecimento, nenhuma qualidade especial, basta colocá-lo num local onde não seja visto e está escondida a raridade.
Na infância deveríamos ter aprendido o “Acha-Acha”, ao invés do
“Esconde-Esconde”, pois assim estaríamos desenvolvendo o espírito da procura, da busca, do “achar”, o que aguçaria nossos sentidos para detectar o conceito, daríamos prioridade para o conhecimento do que se procura e desenvolveríamos a exigência pelos detalhes. Estaríamos em busca da qualidade num segundo momento.
Lembro na brincadeira de “Esconde-Esconde” que aprendemos e brincamos muito na infância que todos queriam se esconder e os “espertinhos” davam um jeito de colocar para procurar aquele que era o novato, o tímido, o desenturmado, enfim o “menos esperto”, mas hoje percebo que o desafio estava na procura, e que a tarefa nobre era de contar até dez (com caráter e honestidade de não olhar entre as mãos) e caçar um a um os escondidos.
Faço essa analogia para dizer (finalmente me vinguei das muitas vezes que tive que procurar e não me deixavam se esconder), que o principal funcionário num clube de futebol é o “olheiro” . Aquele que descobre atletas com potencial para ser estrela de um time.
“Numa propaganda que rola na TV, diz que tem o “caçador”, tem o Ligador”, tem o... e eu incluo o “Achador”.
Quem descobre um craque num universo de milhões de jovens atletas dos campos de “pelada” nas escolinhas de futebol espalhadas pelo Brasil teria que ter um reconhecimento muito mais valorizado no clube. Mais que o próprio treinador que equivocadamente é chamado de professor.(?) É de se perguntar o que eles ensinam se nem lateral os meninos sabem arremessar.
Mas vamos ao Achador e ao Escondedor.
Paulo Henrique Chagas de Lima , paraense (por um “na” não é
Para”na”ense) - a jóia, o craque.
Paulo Henrique chegou ao Santos Futebol Clube em 2005, trazido pelo ídolo santista Giovanni.
Ganso ou PHGanso como é chamado pela imprensa e torcedores santistas é na minha opinião um artista da bola. A jóia a ser achada.
Giovanni - A descrição do meia de estilo clássico, alto, magro, que veio do
Pará para vestir a camisa 10 do Santos brilhou na Vila Belmiro entre 1995 e
1996 . O Achador.
Carlos Caetano Bledorn Verri - Volante duro na marcação, não hesitava em tentar lançamentos para os companheiros da frente, nem em desferir potentes chutes com a perna direita. Ficou internacionalmente conhecido quando foi convocado para disputar a Copa do Mundo de 1990 na Itália pela Seleção Brasileira. O técnico Sebastião Lazaroni, querendo transformar o jeito de o Brasil jogar, que nas duas Copas anteriores com Telê Santana havia sido acusado de perder por se preocupar apenas em jogar bonito, convocou jogadores mais aguerridos e fortes na marcação. Dentre estes novos jogadores, o que chamou mais atenção foi Dunga. Daí logo a imprensa apelidar a nova filosofia de jogo como sendo próprio da "Era Dunga". O Escondedor.
O episódio “Ganso, Giovanni e Dunga” merece a indignação de todos os que conhecem um pouco de futebol, daqueles que apreciam o futebol- arte e que vêem no esporte o lazer, o lúdico e o encantamento e não só a competição.
Achar o Ganso - que é uma ave da família Anatidae que inclui também os cisnes e que a biologia afirma existir mais de 40 variedades de gansos é obra de um achador e não de um escondedor. E ficamos na torcida de que achemos logo os outros trinta e nove e de preferência no quintal do Caju.
Perder ou esconder o Ganso pela atitude equivocada e reprovável do “professor” Dunga em não convocá-lo para a Copa do Mundo, escondendo-o na Vila Belmiro e nos campos de “pelada” deste campeonato brasileiro é obra de um escondedor e nunca de um achador.
Onde eu quero chegar com esta viagem...
Vamos repensar esta comissão técnica do Atlético dos Paranaenses.
Vamos colocar achadores no lugar de “enganadores” que pela manhã
vai ao CT e após o almoço fazendo o caminho inverso vai ao TC.
E o meu Atlético para onde vai?
Prá segunda divisão em ritmo acelerado.
Não temos Ganso e com certeza não temos Giovanni, mas temos Baier que talvez possa ver no nosso quintal um Willian (vice campeão da Copinha, lembram-se!), ou descobrir algum pato, um galisé ou mesmo uma ave exótica (vale rezar) que mude esta escola maldita de volantes pés torto insistentemente caracterizado em Chico, Renan, Batata...
O que entende um Diretor de Futebol que não reconhece um craque quando vê, se é que vê, e recomenda estes últimos colombianos, Brasão, Everton, Tiui, Tartá, Rafael Miranda, Leandro, lisa, enfim. Fim mesmo.
Branquinho é melhor que Marcinho. (custo x beneficio) Esperem e verão.
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