quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Homenagem ao meu amigo!



"A certeza de um pai" por Rafael Adilson Lobo Tavares

Meu pai

Decorria o outono de 1953, era o mês de maio, nasci no bairro do Boqueirão, dezessete dias depois nos mudamos para Paranaguá, rua Conselheiro Sinimbu, aquela da Catedral e da Igreja de São Benedito.

Meu pai trabalhava no Porto, como quase todos os parnanguaras da época, minha família, a Tavares, era bem conhecida. Meus tios chegaram a jogar no Rio Branco, inclusive um, o Cecílio, jogou no Coxa. Depois foi para o América do Rio, nos bons tempos do futebol carioca.

Seis anos depois, meu pai veio trabalhar no Tribunal de Contas e voltamos de mala e cuia pra Curitiba. Ele como bom parnanguara não esquecia do Rio Branco e cada vez que seu time vinha jogar aqui, não importava contra quem, lá ia ele, e sempre me arrastava junto. 

Lembro de jogos no Durival de Brito do tempo de Ferroviário, na Baixada, com aquele time que tinha a camisa e o escudo igual a do Flamengo e contra o Coxa, no Alto da Glória. 

Ele sempre tentava mostra-me a beleza da camisa do time da Estradinha, a virtude de seus jogadores, a raça com que jogavam e o trabalho que dava para os times da Capital etc, etc, etc. Sempre tentando chamar a minha atenção, mas quando eu fui no primeiro jogo contra o Coxa, aquela camisa toda branca com um escudo do lado esquerdo do peito, me chamou a atenção, acho que foi amor a primeira vista. 

Ganhamos o jogo e cheguei a vibrar com dois gols do alviverde. Ele só me olhava de canto de olho (mas ria satisfeito com os meus gestos de euforia). Depois daquele jogo, eu sempre insistia para que me levasse naquele estádio bonito, onde o time joga de verde e branco e faz muitos gols, era assim que, no alto de meus sete anos, eu pedia pra que me levasse ao Alto da Glória.

O tempo foi passando o amor aumentando e a coisa se inverteu: eu é quem comecei a levar meu pai ao Belfort Duarte. O coração dele nunca deixou de ser Rio Branquista, mas só a metade porque a outra metade passou a ser Verde e Branco e isto ficou provado no último jogo do ano passado contra o Inter. No final do jogo quando ele me abraçou me apertou e disse: "no ano que vem voltaremos, tenho certeza". Depois disto tive que enxugar as lágrimas que lhe escorriam pelo rosto.

Rafael Adilson Lobo Tavares


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